O diagnóstico está certo.
Mas o que aconteceu com a vida?
Um percurso para compreender o que a pessoa consegue fazer, onde encontra dificuldades e o que muda quando o contexto muda.
Onde a tarefa quebra
Uma tarefa que não está acontecendo pode parar em cinco lugares diferentes, e cada um pede uma intervenção diferente. Esta ferramenta localiza qual. Não é roteiro de consulta: é para depois, quando você já sabe o que perguntou e precisa organizar o que ouviu.
Onde está o gargalo?
Pense numa tarefa concreta que não está acontecendo — este relatório, esta rotina, esta consulta que ele não marca. Responda até a primeira negativa: é o primeiro ponto em que a tarefa quebra, e é o primeiro lugar em que a intervenção tem endereço. Pode haver outros adiante — a sequência para de perguntar, não de existir.
Avaliação funcional expressa
Use como mapa de entrevista. Não é escala validada, não produz qualificador CIF automático e não determina incapacidade.
Esta ferramenta pressupõe o percurso. Sem os capítulos 3, 5, 6, 7, 9 e 10, a graduação abaixo tende a confundir apoio com capacidade, ausência de oportunidade com limitação, e desempenho com sustentabilidade — e os campos que existem justamente para impedir isso ficam vazios.
As escalas, e o que cada escore autoriza
Um escore não descreve funcionamento: descreve uma medida de funcionamento, obtida por um método, num recorte. Cada ficha abaixo responde às quatro perguntas que decidem a leitura — quem respondeu, sobre qual período, sobre quais áreas, e para qual população o instrumento foi construído — e diz o que aquele número autoriza e o que não autoriza concluir.
Da observação à síntese funcional
Construa uma primeira versão em linguagem clínica. O texto é um rascunho: revise inferências, intensidade e finalidade antes de usar.
O gerador transcreve; não conclui. Ele não sabe o que você observou, de quem veio a informação nem em que condições — se isso não estiver escrito nos campos, não estará no texto. FAPCST: Funções · Atividades · Participação · Contexto · Suportes · Tempo, mais o preservado e os quatro campos que o percurso acrescenta.
A conclusão é sustentada pelos dados?
Cada item traz uma conclusão clínica e os dados de que ela nasceu. Nem todas têm defeito: algumas são legítimas, e reconhecê-las importa tanto quanto flagrar as outras — um guia que só ensinasse a desconfiar teria falhado.
Conclusão não sustentada — os dados apresentados apontam para outra coisa, ou o raciocínio salta uma etapa que os próprios dados desmentem. Mais observação do mesmo tipo não salvaria a conclusão: ela está errada de forma.
Ainda não é possível saber — o raciocínio é razoável e os dados simplesmente não bastam. Existe uma observação identificável que resolveria, e ela ainda não foi feita. Por isso esta resposta só vale acompanhada do que faltaria observar — sem isso, ela vira refúgio, e o guia passaria a ensinar hesitação em vez de discernimento.
Da observação ao código
Isto não faz parte do percurso e não é necessário para usá-lo. É para quem vai efetivamente escrever códigos, depois de ter feito o raciocínio — nunca antes. A ordem importa: quem aprende a linguagem primeiro passa a vida encaixando pacientes em categorias sem ter feito as perguntas que as tornam necessárias.
Onde isso encosta na norma
O percurso não cita resolução, lei nem portaria, de propósito: um capítulo clínico que cita uma norma envelhece junto com ela, e a distinção entre o que se observa e o que se decide não envelhece. Mas quem escreve relatório no Brasil precisa saber quatro coisas, e elas ficam aqui — datadas, separadas, e para conferir na fonte antes de usar.
O que o código não diz
Não diz que a pessoa é incapaz. Não estabelece direito, benefício nem enquadramento. Não substitui a formulação clínica, e não dispensa a descrição das condições em que a observação foi feita. Um relatório com códigos e sem condições descritas é pior do que um sem códigos, porque parece mais objetivo — e não é. A Resolução CNS nº 452/2012 determina o uso da CIF no SUS, inclusive na saúde suplementar, e é indicada como vigente pelo Conselho Nacional de Saúde. Isso reforça a relevância da linguagem, e não cria equivalência automática entre código, incapacidade, deficiência ou direito.
Fontes para aprofundar
Seleção de fontes primárias e institucionais que sustentam a arquitetura do guia. O conteúdo clínico foi escrito para o consultório, não como reprodução dos documentos.
Limites deste recurso
Este guia é educacional e clínico. Não substitui treinamento formal na CIF, instrumentos validados, avaliação interdisciplinar, normas periciais ou legislação aplicável a cada finalidade. A avaliação deve ser proporcional à pergunta e à evidência disponível.